Encontrei no Youtube esta aula de Psicologia em Yale.
Pelo facto de vivermos, em determinados momentos tentamos perceber em que raio nos metemos...Agrada-me imenso saber que as coisas em que penso foram já estudadas por muitos e que criei as minhas próprias teorias sem nunca os ter lido, mas pensando nas teorias deles. Isso significa que o raciocínio humano brota de todos de forma similar.
Em jeito de resposta segue o significado da vida...:-)
E no final...a resposta yoga de Swami Satchidananda...demasiadas expectativas, demasiada dor... O egoísmo em nós pede que recebamos sempre algo em troca, da vida, das pessoas, do mundo. Esperamos, por isso temos problemas, passamos pelo "nível dor".
Viver...
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
domingo, 22 de novembro de 2009
Suportar o Síndrome "Dead Man Walking"

Boas Zé...
Quando foste, dia 4 de Fevereiro de 1996, abanaste o mundo de muita gente, inclusive o meu.
Foi uma das machadadas nas crenças religiosas, e um culminar das interrogações ácidas que me inundavam pela leitura da Bíblia e análise dos factos e probabilidades. Acordei da sensação de imortalidade e caminhada rumo a uma pesagem de actos, e caí na racionalidade extrema de um ser pensante, mas igual a todos os outros nesta Terra. Doeu. Assistir à morte de avós marca, mas, ser atingido pela noticia de uma morte inesperada de uma pessoa jovem e diariamente presente na minha vida é mais impactante. Dizem que a Natureza não dá saltos evolutivos, mas a fila para a reciclagem não é linear, dá saltos nos números e saltos bem visíveis.
Sempre fui ingénuo e lírico, e a esses a vida dá socos no estômago com fartura.
Não pude evitar deixar de pensar que fui um afortunado, porque apesar da relatividade da situação, a ti foi-te dado apenas 20 anos para viver. Se 80 anos é pouco, o que dizer de 1/4 disso? Não é fácil nem saudável enumerar todas as experiências que te faltou concretizar e saborear nesta vida. Tinhas solidez e apoio familiar, inteligência e destreza suficiente para seres um homem realizado e bem sucedido. Mas o raio caiu, e caiu bem ao meu lado. Deu para ouvir o trovão a estourar-me os tímpanos, com um milésimo de segundo de diferença com o clarão.
A seguir sou eu. Não interessa quando, mas sou a seguir. O problema é mesmo esse...somos a seguir. Nem interessa bem qual é o número, pois a chamada é aleatória, mas somos a seguir, e a Natureza não se esquece de nós. "Sooner or later God's gonna cut you down" cantava Jonnhy Cash. Se fosse Deus eu nem me importava muito. Preocupo-me e tento tratar o meu semelhante como acho que é suposto ser tratdo por ele, daí que seria considerado um aluno regular na escola de Deus. Mas ao que me parece Deus apareceu com a primeira centelha de inteligência, imediatamente a seguir ao medo de morrer. O homem tomou consciência de que se o "Zé" dele morreu, ele corria o mesmo risco de partilha de destino. Mas se ele lhe era assim tão importante, obviamente que haveria algo depois, pelo que o deveria sepultar, em posição de "feto adormecido" com as suas ferramentas, jóias e armas.
Mas, e quem perdeiu a esperança de ser "filho protegido de Deus"? Quem olha para o braço e vê "tatuado o número seguinte"? Como se vive a prazo? Como se saboreia as férias que acabam em dia incerto, mas que sabemos que acaba? Como se corre sendo que somos "dead man walking"? Há o suposto antídoto "Carpe Diem". Dificil de engolir, cada vez mais quanto mais os anos passam. Provavelmente é por isso que a Natureza nos faz definhar, nos inutiliza aos poucos. Para que estejamos já tão diferentes do que fomos um dia, e tão debilitados que aceitamos a inevitabilidade de termos de morrer. Sentimos a falência iminente.
E a questão principal? Como se vive? Provavelmente olhando 10 metros em frente, em vez de alguns kilómetros, para que não se possa ver o precipício. Ou então olhar para o lado e perceber que a galé está cheia de "condenados" nas mesmas condições e alguns ainda são mais chicoteados do que nós e remam apenas com um braço dado que o outro já lhes foi tirado. Mas eu não sou o Ben-Hur. Só consigo ver o que não tenho, bem como a maioria desta geração ocidental. E por isso somos tão infelizes. Temos telemóvel, computador portátil, 200 canais, podemos comer alimentos de quase todo o mundo, mas há dias em que nos deitamos com menos felicidade (caso houvesse uma forma de o medir), do que os nossos avós após um dia extenuante de trabalho no campo. Suados, com calos doridos, mas com esperanças, sensação de concretização e dever cumprido. Saber demais não traz felicidade, talvez seja essa a mensagem da parábola de Adão e a sua Maçã. Ter demais também não a traz, mas sim não o ter e consegui-lo hoje, e conseguir amanhã, e querer ainda mais para a semana. Ter conseguido ontem, vai-se dissipando no tempo. A que soube o dia de ontem? A pouco, a quase nada, um pouco mais que o anteontem e o dia especial da semana passada. O Hoje é mais intenso. O Agora é especial. E o Hoje pode ser concretizador ou um insatisfeito momento. Tal como na cantiga de Sérgio Godinho, sabendo-nos a pouco. O Amanhã traz-nos o incerto, a esperança ou o negro futuro. O condenado espera apenas o dia da execução, cada dia que passa é menos um dia, a meta aproxima-se, já vê o manto escuro e o brilho da foice. Assim somos nós, se pensarmos bem nisso. Mas não convém. Antecipar a dôr de barriga enquanto se come retira o sabor da comida.
A despreocupação da criança dentro de nós é bem mais saudável que deixar sair o "velho", o ser consciente da sua perecibilidade e da relatividade de tudo que aqui se passa.Somos tal como uma pequena chama de um fogo, nasce, extende-se e extingue-se num ápice e ninguém a percebe a menos que tenha tocado alguém. Podemos tocar, aquecer ou queimar amigos e família, conhecidos e quem passa pelas nossas vidas. Para todos os restantes somos basicamente invisiveis. Quando era miúdo queria ser famoso, para assim ser menos mortal, ficar algo meu neste mundo, ser admirado pelas gerações futuras. Também não adianta de muito. Mas devo reconhecer que a semi-imortalidade de actores ou beneméritos famosos me continua a atrair, até porque continuo a idolatrar alguns deles. A morte mete-nos medo e fascina-nos. Criou todo um universo de crenças, de figuras mitológicas, de explicações de fuga, de interações. Mas a morte é a morte, seca e directa. Só se pode queixar da morte quem alguma vez foi vivo, e nem todos serão vivos algum dia.
Não tenho a solução para o que o titulo deste texto antevia... Mas a vela só tem a bonita chama se queimar a cera, e a cera vai acabar, e entretanto tudo é quente e luminoso. Enquanto escrevi, estes 2 dias, a dor diminuiu. Encontrar a forma de dominuir a dor talvez seja o caminho...
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
"Será agora?"
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Dia 6 de Junho de 2009. 06-06-2009. Apesar das parecenças com o dia do Diabo, foi ainda pior que o próprio.
Na manhã desse dia, um dia chuvoso, deslocava-me para o trabalho como sempre.
Num momento de distracção, em que julgo ter adormecido, acordei para a situação em que estava. O carro bateu no que julgo ter sido o rail, e rodopiei intensamente, enquanto gritava, tentando repor algum controle sobre a realidade, parando apenas na berma desnivelada.
O meu primeiro pensamento foi: " o que se passa"? Em momento nenhum me recordo de ter perdido o controlo do carro...apenas rodopiar e ver tudo a girar. Parecia um sonho mau, um pesadelo incontrolado, em que só poderia esperar um desfecho bastante negativo. Antes de parar pensei: "é agora que vou morrer?"
O carro parou, sentia-se o cheiro e fumo dos travões abs. Tremia por todos os lados...Não queria acreditar.
Alguns carros paravam á frente. Um senhor veio , abriu a porta do passageiro e ajudou-me a sair. Os meus gritos transformaram-se em choro convulsivo. Todos tentavam acalmar-me, perceber o que se havia passado e consolar-me. Como se consola uma pessoa que trabalhou vários anos para pagar um bem que escolheu com dedicação e do qual apreciava o conforto e comodidade que ele lhe dava como meio de transporte e de usufruto?
Muito do meu suor estava naquele carro, horas, dias, anos de trabalho. E faltavam ainda alguns anos para que ele fosse totalmente meu. Para quem decidiu não ter seguro contra todos os riscos, tal situação afigurava-se insuportável. Cada olhadela para o estado do carro, fazia com que os nervos deixassem sair os lamentos de tal situação em forma de choro gritado.
Os transeuntes entraram em contacto com o meu chefe e o meu pai. A ambos tentei dar a mensagem necessária, para os informar e partilhar alguma dor. Pouca coisa me saía da boca. Na minha mente a Terra havia deixado de rodar. Eu ia apenas trabalhar mais um dia, mais um dia de viagem e de suor, objectivos cumpridos e por cumprir. Apenas viver. Trabalhar também é viver.
A vida podia ter-se esvaído naquele dia, todos dizem que vão-se os anéis e ficam os dedos, mas...aquele anel era um dos meus preferidos, com todos os predicados pedidos: estofos de couro, leitor de 6 cds, cd mp3, ar condicionado, espaço para transporte de pessoas e artigos. Uma mégane á maneira. Estou aqui a escrever, sentado, com a posse de todas as minhas faculdades mentais e físicas, e um novo começo, mas perdi algo querido, um pedaço de metal, é certo, mas que significava bastante.
Na minha cabeça ressoa tudo que poderia ter feito para que tal não tivesse acontecido, as palavras de aviso de mãe e amigos quando me diziam para andar devagar, especialmente na chuva, o amigo José Anjos que perdi em 1997 em acidente de viação.
A todos aconselho: Carpe Diem, com juízo, cuidado na estrada. Elas acontecem mesmo e não é só aos outros.
Cuidem-se.
sábado, 7 de março de 2009
A pressão dos Trinta ( solteiros com mais de 30 anos )

Os solteiros de mais de 30 anos, sentem-na?
32 anos é uma idade gira. Devo dizer que a partir dos 25 comecei a não gostar de fazer anos.:-). Os anos começam a pesar e parece que queremos fazer parar o comboio ( que diria destas palavras alguém de 60? ). Mas a verdade é essa. Esperamos muito de nós próprios e, no meu caso, esperava que a vida estivesse diferente nesta altura.
Ao nosso redor, casamentos, miúdos, sobrinhos, a avó a perguntar quando é o nosso casamento ( até nós pensamos que devíamos assentar, não encontramos é com quem ). No caso das mulheres o relógio biológico, "ser mãe ou não ser"...? No caso dos homens:" o puto com 10 anos, eu terei 40, e as futeboladas"? lol. Frases anedóticas, mas que encerram um fundo de verdade.
No nosso caminho de vida, encontrámos pessoas que nos deram esperança de juntar os trapinhos, viver em conjunto, atravessar as tempestades debaixo do mesmo guarda-chuva ( beijos Rihanna, lol ). Por alguma razão não o fizemos. Uns lamentam-na, outros têm a convicção que tomaram a atitude correcta. A verdade é que os dias passam, com mais ou menos alegrias e com mais ou menos vantagens por se ser solteiro e independente. A liberdade e a ausência de compromissos relacionais, pela falta de carinho diário e construção de uma história de vida : troca justa?
Por mais que lutemos e discutamos, homens e mulheres não conseguem deixar de estar juntos ( mesmo que homens com homens e mulheres com mulheres..lol ). Os amigos conseguem de certa forma amenizar a necessidade de contar as nossas vivências e preocupações do dia-a-dia, mas não conseguem colmatar a falta da "cara-metade", aquela pessoa que está lá para o que der e vier, nos dá força, nos ama e nos quer tanto como a ela própria. Se calhar é um pouco uma figura maternal ou paternal, numa segunda fase da nossa vida. Não sou muito pelo complexo de Édipo ou de Electra, mas acho que de alguma forma têm influência, dados os modelos de personalidade que obtemos nos primeiros anos de vida. Os nossos pais enamoram-se de nós e nós de certa forma enamoramo-nos deles. A liberdade que ganhamos em relação a eles ( monetária, emocional e social ), torna-se menos apreciada com o passar do tempo, quase monótona, e quase apetece perder parte da liberdade "conquistada" para ter de "prestar contas" à pessoa que amamos.
A solidão é a cruz dos egoístas, e há noites frias em que, apesar de rodeamos por centenas de pessoas, nos sentimos sós. Olhamos ao redor e por vezes sente-se inveja da aparente felicidade do casal. Acredito eu que grande parte do comportamento humano é pura imitação e reprodução de comportamento observado ao longo da nossa vida, e se aquilo nos parece bom, também queremos um "pedaço daquilo" ( beijos Britney lol ). Há mil e uma formas de não estar sozinho, mas as amizades e mesmo as coloridas não enchem o coração com o prazer de amar e ser amado, a calma de se ter encontrado alguém tremendamente especial e que não queremos perder, e nos olha da mesma forma.
A companhia de outro ser humano é algo bom, especialmente quando se cria cumplicidade tal que um é o braço direito do outro, o ombro onde deitar a cabeça, o peito onde suspirar. Cria-se uma história, um laço tatuado, que permite ás pessoas aguentar as contrariedades do dia a dia, correr em conjunto por objectivos comuns e para a família, e sentir-se realizado. A vida tem mais sentido assim, agora reconheço.
Não é fácil escolher, mas...quando surge a possibilidade de ser aquela a pessoa, a nossa única hipótese é atirarmo-nos de cabeça, pois a paixão não pede menos que isso. Se errarmos, erramos, mas "errare humanum est" e faz parte da nossa natureza. Não há como deixar de errar, pela esperança de ser feliz.
"A vida ás vezes é uma porcaria, mas é sempre a porcaria mais gira que existe". Pedro Magalhães
Beijos e sejam felizes.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Hoje é o 1º dia do Resto da tua Vida...

Bom dia...
Não sei se é dia, noite, ou manhã, mas...mais um dia passou.
Não, não é tragédia nenhuma, tal como não deves lamentar mais uma lufada de ar que deixaste sair pelas narinas. Faz parte...
Já sabia da minha relação estranha com a morte e a perda. Eu, que ambiciono o ganho e a melhoria, tal como todos os seres humanos neste mundo. A morte é assim, o término, de algo que apesar de não ser extremamente bom, é o possível e bem melhor que o Nada.
O "Estranho caso de Benjamim Button" teve o condão de despertar sensações adormecidas. Assim como o fizeram outros filmes que me puxam da cadeira e me transportam de dimensão para a realidade que aquelas luzes e sons articulados desejam. Assim sendo, cheirei a morte novamente ao longe. Senti-a naqueles relatos de 2 pessoas descompassadas no tempo. Muito bonito, muito forte, tal como a morte.
Chorei. Tinha que chorar. Olhando aquele fim no inicio da vida de Benjamim, percebemos o ciclo por que passamos. Tudo começa e tudo acaba.
32 anos...32 anos é ser-se jovem..Pois. 25 era mais. Mas 25 anos não encerravam em si a lucidez que os passos me trouxeram e o infortúnio de saber que apesar de todas as curvas da estrada, a meta é sempre a mesma.
A realidade não é alterável como nos filmes. É pena. Como nem todos podem ter o que desejam a realidade dá a cada um nada mais do que aquilo que pode. Vivamo-la então. "O tempo não pára". Não parou para Cazuza, não parará para ninguém. Só parará a consciência que temos dele.
Se não o tempo e a morte, que outros fenómenos nos fariam querer criar tanto...na esperança de deixar algo para a posteridade? Quadros, poemas, edifícios, viagens, filmes, filhos, modas, canções...
É a mortalidade que nos torna fracos e poderosos.
É a mortalidade que me "obrigou" a escrever.
Beijos e abraços, concidadãos...
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