sábado, 19 de setembro de 2009

O arco-íris das amizades.






Quando éramos miúdos inocentes tudo era fácil.
As meninas eram meninas, diferentes sim, mas não seres enigmáticos e complicados de entender e conquistar. Brincava-se aos médicos e aos papás e mamãs sem problemas, sem consequências, só pelo prazer da descoberta, da partilha e da curiosidade.
Não pensávamos que estávamos em lados diferentes da barricada do amor e da sedução, só não entendíamos como é que elas eram um pouco diferentes de nós. Eram meias amaricadas...lol. Apenas não queriam que lhes mexessem nas bonecas e queriam a última Barbie, nós apenas pensávamos em futebol e no ultimo "action-figure".
Alguns anos depois tudo muda. O "peso" da adolescência e do sexo, cria a guerra. Elas sabem o que nós queremos e nós sabemos que elas não vão querer assim tão facilmente. Educadas para serem recatadas, entrincheiram-se e geralmente têm uma relação com a fisicalicade menos impulsiva do que nós. Nós tornamo-nos ardilosos e maquiavélicos...lol
Com o tempo, as batalhas vão sucedendo e alguma resultam em Armistícios e consequentemente casamentos ou outro tipo de relações formais duradouras. A partir desse momento ( em principio )quem está casado tem a porta de pelo menos um quarto aberta para não sentir mais a solidão manual. E os que ainda continuam no campo de batalha? Esses vão lutando aqui e ali á procura do "inimigo perfeito" para assinar. Enquanto não o encontram, querem saciar todas as curiosidades e necessidades com os errados. ( "Se não encontras a mulher certa, diverte-te com as erradas" - não sei quem disse, mas tinha a sua razão. )
Os errantes, têm as suas necessidades físicas e emocionais, bastantes normais e crescentes nos "intes" e "intas", e se calhar até nos "entas". Provavelmente cresce enquanto somos vivos. Errantes que encontraram vários casos, passaram por várias "guerras mundiais". Ás vezes as barreiras caem, e encontram um ponto de união. Mesmo sem darem tudo um ao outro, consideram importante e vantajoso para ambos, trocarem carinho, vivências, partilharem momentos, alegrias, cinema, restaurante, beijos semi-apaixonados, banco traseiro do carro e por vezes motel da zona ou a casa de um deles. Estar sozinho ás vezes é mais doloroso que erguer a bandeira branca e esperar pelo melhor. Ás vezes corre muito bem, as pessoas entendem-se, trocam essências, partilham as suas histórias, os seus problemas e conseguem-se fazer um pouco mais felizes um ao outro. Algo de errado? Absolutamente nada se ambos se derem na mesma medida. Se um não for buscar mais á relação do que o outro, ou um não pedir mais do que o outro está disposto a dar. Mas parece a melhor solução intermédia para ser só e sobreviver.
Há quem prefira esperar na trincheira pelo General Certo, não se envolvendo de forma alguma caso não haja sentimentos fortes, prenunciadores de um desfecho pacífico.
Gostava de vos recordar do texto sobre o beijo, e dizer...um beijo a mais é melhor que um beijo a menos.
Acredito que os indecisos e erráticos soldados esperam alguém que os faça ficar de joelhos, capitular e esquecer de que terra ou país são, mas tarda em aparecer.
Têm receio de serem enganados ou que a contra-parte não seja exactamente o que esperavam, pelo que a paz não vai ser duradoura, e vai provocar ainda mais mortos e mais dôr que a actual. Tantas vezes a paz aparente é perturbada por denúncias do tratado que estava em cima da mesa para posterior assinatura, por vezes em alguns anos.
Em suma, acredito que os "guerreiros repousados sob o arco-íris" podem ser uma grande amizade e fonte de crescimento pessoal enquanto as pernas não fraquejarem, se totalmente imbuídos do espírito de comunicação, solidariedade e respeito que une os amigos. Em vez de se esperar pelo inimigo na trincheira, uns dias é na trincheira dele, outras é na nossa. Viva a côr. ( Não, este texto não tem o patrocínio da Robialac ou da CIN)

Pssst!! Se faz favor....queria uma relação perfeita.




Bom dia. Já que estou vivo e me sinto só, queria uma pessoa quase perfeita para partilhar a vida.
Parece estranho, não? Nas nossas vivências precisamos, num ou noutro momento ou então sempre, de alguém com quem partilhar alegrias e problemas. Faz parte do ser humano, uma emotividade intensa. Uns disfarçam-na com o trabalho, com o amor a si próprio e egoísmo sentimental, mas existe sempre.
Esta sociedade de consumo onde somos bombardeados por imensa publicidade e todos os dias analisamos centenas de factos, comparando características, decidindo qual o melhor, mais barato, provamos marcas e satisfazemos a curiosidade do provar encontra de alguma forma um paralelo na nossa vida sentimental. Queremos uma mulher mistura de Beyonce com Katy Perry, com pozinhos de Katherine Heigl e a mente da Dra. do apoio sexual.
Mas encontramos alguém que nos diz algo...os olhos, o aspecto, a forma de falar, aquele sorriso, algo nos puxa irremediavelmente para o queremos para nós. Brinca-se com as palavras, joga-se a batalha da sedução e...ás vezes ganha-se. E é terrivelmente bom. A adrenalina e as hormonas inundam-nos nos primeiros beijos, nos primeiros toques, mas vamos conhecendo a pessoa e recebemos também tudo que ela tem, de bom e de menos bom. Com o tempo tendemos a desvalorizar o ser que temos ao nosso lado, e pior, a olhar para os novos "modelos que saíram este ano". Os beijos, os toques, a troca de prazer começa a não ser tão inesperada, a curiosidade perde-se um pouco. O que comparado com o desconhecido da pessoa que encontrámos no café ou a colega do emprego ou a empregado de bar onde se costuma ir, começa a perder terreno. Voltamos a ser o "descobridor", que quer saciar a curiosidade e fazer inverter vertiginosamente a montanha russa da sedução e da insinuação em que se converteu a nova "amizade". Todos queremos abrir a caixa, provar o queijo, podemos é entrar na ratoeira.
Que dizer á pessoa que tal como nós investiu na relação? Desculpa, mas passou? É só uma brincadeira e depois volto para ti? Sou de várias pessoas? É só sexo?
Talvez por este receio procuramos a melhor pessoa possível para nós, quase perfeita. Linda, inteligente, espirituosa, compreensiva, trabalhadora, sensual e uma fera na cama. Tudo para nos precaver de matar as curiosidades que um dia nos vão aparecer, e poder ganhar a luta entre manter o excelente modelo velho que temos ou provar o novo desconhecido modelo.
Todas as desculpa são boas para evitar queremos descobrir a novidade. Para o homem é mais complicado resistir aos encantos do que ainda não se provou. Porquê? Porque temos tendência a querer provar várias para descobrir quem queremos amar. Porque, na nossa cabeça,sermos amados por várias significa que somos excelentes homens e porque no nosso crescimento não fomos habituados a controlar o apetite pelo fruto proibido, mas antes a fazer crescer a ânsia de o comer, porque "é de homem". A mulher tende a não sobrevalorizar características sexuais. Ama e tenta amar até ao fim, amenizando os defeitos.Provavelmente prefere a estabilidade, a segurança de uma relação construída, o pai para os filhos. Acho que o amor feminino é mais puro, mas emotivo,embora já o tenha sido mais... O homem é menos capaz de se sacrificar pela estabilidade da relação, pela sua leveza de consciência ( principalmente porque parece ser capaz de comer fora e entrar em casa com toda a leveza do mundo perguntando se a comida está pronta ). É capaz também de ir buscar pão á padeira, peixe á peixeira, e carne á mulher do talhante, sendo que em casa tem a esposa que trata dos filhos, sem a tratar como o hipermercado que consegue ser.
Os homens gostavam de casar com a mulher quase perfeita. Porquê quase perfeita? Porque se fosse perfeita seria complicado atirar-lhe á cara algum defeito ou perceber que ela estava sempre certa e ele errado.
A mulher também não deve querer o homem perfeito dado que seria bastante complicado guardar aquele "naco de carne" de todas as leoas descomprometidas ou não, carentes por um homem a sério, que as trate como pessoas a sério.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Caros pais...( para reler quando eu for pai , e ele(a) tiver 15 anos )





Começo a sentir a vontade de ter filhos...
É algo que não esperava. A ideia de poder ter um ser que aprende comigo, para quem eu sou importante, que me ama e precisa da minha ajuda começa a seduzir-me mais do que a ideia que terei de dedicar parte da minha vida a tratar dele, a mudar-lhe as fraldas e dar-lhe de comer.
Sinto alegria em brincar com a minha sobrinha, continuo a ser um "puto" grande pelo que brincar é inerente á minha natureza. Imaginar isto e aquilo, fazer aquela careta ou o té-té..
Mas eles crescem...e eles tornam-se semelhantes a nós.
A minha vontade de ter filhos passa também pelo desafio de tentar fazer mais do que o que os meus pais fizeram por mim. Não me posso queixar de quase nada, foram pais extremosos e preocupados. Apenas posso dizer que tomei para mim o sentido critico e auto-critico que tanto seguíam, que tem consequências boas e más.
De qualquer modo...
Que fazer quando o filho/a cresce?
No meu entender, é necessário relembrar sempre a nossa própria juventude na tentativa de educação saudável dos nossos filhos. Tendo isso em mente, o nosso rebento vai crescer e ser submetido a vários meios, vai sentir impulsos e tentar perceber como viver neste mundo. Os pais ficarão divididos entre "controlar" os filhos, e "dirigir" o seu crescimento, impedindo que eles sejam submetidos a alguns problemas ( assim julgam eles ) ou então deixar o filho ultrapassar todos os problemas de forma autónoma. Uma espécie de divisão entre o estado Comunista e o Estado Liberal na Economia.
Dada esta divisão, a minha teoria é esta: nenhuma informação é "too much information".
Quando os miúdos e miúdas tiverem idade ( e terão mais cedo que que pensamos ), convém dar-lhes alguma liberdade, mesmo que seja para levar algumas lambadas da vida, mas sempre com a consciência e a informação de que elas existem.
Os pais muitas vezes não se apercebem, ou apercebem-se tarde demais ( com consequências nefastas a nível psicológico para o filho )de que as limitações morais, de comportamento e hábitos, que impõem aos filhos, especialmente no caso do sexo feminino, os castra e os impede de "crescer". Muitas vezes, já com idade para serem mães , querem que as filhas sejam ainda "virgens", mas que encontrem um "marido bom" rapidamente. Bons maridos, já não há muitos, e não andam das 8 da manhã ás 23 da noite na rua. É nesta altura que os pais e mães deveriam pensar no que estava a fazer, ou tinham vontade de fazer com a idade deles, e até fizeram mas não contam a ninguém.
Devassidão? Existe. Em conta e medida correcta, é necessário. Quem decide a quantidade? Cada um de nós após a maioridade. A total inexistência da liberdade afectiva e sexual pode resultar em problemas complicados a nível emocional e estrutural nas pessoas, acredito eu. Nesta sociedade de pressão, desde a tenra idade, são os pequenos hobbies e alegrias, nas quais se incluem também namorar, beijar e fazer sexo, que nos permitem ser um pouco mais felizes.
A falta de liberdade é tão grave quanto a liberdade levada ao extremo, pode resultar em problemas tão ou mais graves. Aos 30-40 anos, muitas mulheres pensam...devia ter lutado mais pela minha vida, ser mais rebelde provavelmente seria mais feliz.
Só há uma idade para fazer as coisas. É esta. A idade anterior já passou, não volta.
Há doenças, há gravidezes inesperadas, há predadores emocionais e sexuais. Sim há isso tudo. Mas, acredito que a melhor forma de os reconhecer, de ultrapassar os problemas é ser submetido aos problemas. Da mesma forma que as vacinas são pequenas doses de vírus.
Não castrem os miúdos, não os impeçam de errar, com alguma rede de segurança, senão corre-se o risco de eles não terem auto-estima, auto-conhecimento emocional e sexual, e capacidade de enfrentar os tubarões e leões deste mundo.
Este mundo é cada vez mais complexo, mais complicado, e não é fácil triunfar nele, profissionalmente, familiarmente e emocionalmente. Se o miúdo tiver os pais como apoio e maiores amigos e fãs, ao invés de os seus maiores críticos e opressores, quase com certeza terá uma personalidade estruturada, forte e capaz de passar o mesmo aos vossos netos.
Deixem os miúdos fazer as asneiras todas antes de casar, não vão eles ganhar vontade depois.
Palavras de um teórico, lírico talvez, mas muito esperançado.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Será agora?"





Dia 6 de Junho de 2009. 06-06-2009. Apesar das parecenças com o dia do Diabo, foi ainda pior que o próprio.
Na manhã desse dia, um dia chuvoso, deslocava-me para o trabalho como sempre.
Num momento de distracção, em que julgo ter adormecido, acordei para a situação em que estava. O carro bateu no que julgo ter sido o rail, e rodopiei intensamente, enquanto gritava, tentando repor algum controle sobre a realidade, parando apenas na berma desnivelada.
O meu primeiro pensamento foi: " o que se passa"? Em momento nenhum me recordo de ter perdido o controlo do carro...apenas rodopiar e ver tudo a girar. Parecia um sonho mau, um pesadelo incontrolado, em que só poderia esperar um desfecho bastante negativo. Antes de parar pensei: "é agora que vou morrer?"
O carro parou, sentia-se o cheiro e fumo dos travões abs. Tremia por todos os lados...Não queria acreditar.
Alguns carros paravam á frente. Um senhor veio , abriu a porta do passageiro e ajudou-me a sair. Os meus gritos transformaram-se em choro convulsivo. Todos tentavam acalmar-me, perceber o que se havia passado e consolar-me. Como se consola uma pessoa que trabalhou vários anos para pagar um bem que escolheu com dedicação e do qual apreciava o conforto e comodidade que ele lhe dava como meio de transporte e de usufruto?
Muito do meu suor estava naquele carro, horas, dias, anos de trabalho. E faltavam ainda alguns anos para que ele fosse totalmente meu. Para quem decidiu não ter seguro contra todos os riscos, tal situação afigurava-se insuportável. Cada olhadela para o estado do carro, fazia com que os nervos deixassem sair os lamentos de tal situação em forma de choro gritado.
Os transeuntes entraram em contacto com o meu chefe e o meu pai. A ambos tentei dar a mensagem necessária, para os informar e partilhar alguma dor. Pouca coisa me saía da boca. Na minha mente a Terra havia deixado de rodar. Eu ia apenas trabalhar mais um dia, mais um dia de viagem e de suor, objectivos cumpridos e por cumprir. Apenas viver. Trabalhar também é viver.
A vida podia ter-se esvaído naquele dia, todos dizem que vão-se os anéis e ficam os dedos, mas...aquele anel era um dos meus preferidos, com todos os predicados pedidos: estofos de couro, leitor de 6 cds, cd mp3, ar condicionado, espaço para transporte de pessoas e artigos. Uma mégane á maneira. Estou aqui a escrever, sentado, com a posse de todas as minhas faculdades mentais e físicas, e um novo começo, mas perdi algo querido, um pedaço de metal, é certo, mas que significava bastante.
Na minha cabeça ressoa tudo que poderia ter feito para que tal não tivesse acontecido, as palavras de aviso de mãe e amigos quando me diziam para andar devagar, especialmente na chuva, o amigo José Anjos que perdi em 1997 em acidente de viação.
A todos aconselho: Carpe Diem, com juízo, cuidado na estrada. Elas acontecem mesmo e não é só aos outros.
Cuidem-se.

sábado, 7 de março de 2009

A pressão dos Trinta ( solteiros com mais de 30 anos )




Os solteiros de mais de 30 anos, sentem-na?
32 anos é uma idade gira. Devo dizer que a partir dos 25 comecei a não gostar de fazer anos.:-). Os anos começam a pesar e parece que queremos fazer parar o comboio ( que diria destas palavras alguém de 60? ). Mas a verdade é essa. Esperamos muito de nós próprios e, no meu caso, esperava que a vida estivesse diferente nesta altura.
Ao nosso redor, casamentos, miúdos, sobrinhos, a avó a perguntar quando é o nosso casamento ( até nós pensamos que devíamos assentar, não encontramos é com quem ). No caso das mulheres o relógio biológico, "ser mãe ou não ser"...? No caso dos homens:" o puto com 10 anos, eu terei 40, e as futeboladas"? lol. Frases anedóticas, mas que encerram um fundo de verdade.
No nosso caminho de vida, encontrámos pessoas que nos deram esperança de juntar os trapinhos, viver em conjunto, atravessar as tempestades debaixo do mesmo guarda-chuva ( beijos Rihanna, lol ). Por alguma razão não o fizemos. Uns lamentam-na, outros têm a convicção que tomaram a atitude correcta. A verdade é que os dias passam, com mais ou menos alegrias e com mais ou menos vantagens por se ser solteiro e independente. A liberdade e a ausência de compromissos relacionais, pela falta de carinho diário e construção de uma história de vida : troca justa?
Por mais que lutemos e discutamos, homens e mulheres não conseguem deixar de estar juntos ( mesmo que homens com homens e mulheres com mulheres..lol ). Os amigos conseguem de certa forma amenizar a necessidade de contar as nossas vivências e preocupações do dia-a-dia, mas não conseguem colmatar a falta da "cara-metade", aquela pessoa que está lá para o que der e vier, nos dá força, nos ama e nos quer tanto como a ela própria. Se calhar é um pouco uma figura maternal ou paternal, numa segunda fase da nossa vida. Não sou muito pelo complexo de Édipo ou de Electra, mas acho que de alguma forma têm influência, dados os modelos de personalidade que obtemos nos primeiros anos de vida. Os nossos pais enamoram-se de nós e nós de certa forma enamoramo-nos deles. A liberdade que ganhamos em relação a eles ( monetária, emocional e social ), torna-se menos apreciada com o passar do tempo, quase monótona, e quase apetece perder parte da liberdade "conquistada" para ter de "prestar contas" à pessoa que amamos.
A solidão é a cruz dos egoístas, e há noites frias em que, apesar de rodeamos por centenas de pessoas, nos sentimos sós. Olhamos ao redor e por vezes sente-se inveja da aparente felicidade do casal. Acredito eu que grande parte do comportamento humano é pura imitação e reprodução de comportamento observado ao longo da nossa vida, e se aquilo nos parece bom, também queremos um "pedaço daquilo" ( beijos Britney lol ). Há mil e uma formas de não estar sozinho, mas as amizades e mesmo as coloridas não enchem o coração com o prazer de amar e ser amado, a calma de se ter encontrado alguém tremendamente especial e que não queremos perder, e nos olha da mesma forma.
A companhia de outro ser humano é algo bom, especialmente quando se cria cumplicidade tal que um é o braço direito do outro, o ombro onde deitar a cabeça, o peito onde suspirar. Cria-se uma história, um laço tatuado, que permite ás pessoas aguentar as contrariedades do dia a dia, correr em conjunto por objectivos comuns e para a família, e sentir-se realizado. A vida tem mais sentido assim, agora reconheço.
Não é fácil escolher, mas...quando surge a possibilidade de ser aquela a pessoa, a nossa única hipótese é atirarmo-nos de cabeça, pois a paixão não pede menos que isso. Se errarmos, erramos, mas "errare humanum est" e faz parte da nossa natureza. Não há como deixar de errar, pela esperança de ser feliz.

"A vida ás vezes é uma porcaria, mas é sempre a porcaria mais gira que existe". Pedro Magalhães

Beijos e sejam felizes.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Atracção e beleza.

Todos nós gostamos mais de algo, em relação a outra coisa. Bebidas, comidas, cheiros, etc.Os gostos nem sempre são parecidos,se nem que se podem encontrar correntes maioritárias e modas, e os gostos desenvolvem-se com as sociedades e a idade dos indivíduos.
quando pensamos no fenómeno do enamoramento ou da atracção encontramos uma componente visual, uma componente mental, e dizem, uma componente odorífica. Quanto à componente dos cheiros, todos segregamos feromonas pela pele que são agentes atractivos e afrodisíacos para quem os cheira. Verdade ou não, há cheiros no corpo da mulher que considero bastante bons. O cheiro de cabelo molhado, o cheiro do pescoço e da orelha, a mistura do cheiro dela com alguns perfumes parece que nos elevam no ar, até algum suor feminino parece ser especial.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os Sexos e o Sexo...



Não pretendo fazer deste texto uma forma de justificar o comportamento de homens ou mulheres em relação ao Sexo, apenas mostrar as pressões e as condicionantes que todos nós sentimos, em relação a este acto. Decidi fazer este texto, motivado pela leitura dos comentários de algumas mulheres que afirmam que o "homem só pensa em sexo" e que isso é para ele a coisa mais importante na vida.
Para analisar esta constatação devemos observar as várias vertentes do Sexo. A vertente física, a vertente hormonal, a vertente animal, a vertente social, a vertente económica e a vertente emocional.

Na questão física, temos de verificar anatómicamente a situação, em que a mulher é a "penetrada" e o homem o "penetrador" ( isto em principio :-)), o homem tem o seu prazer quase garantido e a mulher pode passar por uma experiência desagradável e fisicamente e emocionalmente dolorosa ( muitas vezes é quase um acto feito por uma pessoa e um "objecto" ), a mulher "submete-se" ao homem, ( geralmente mais passiva no acto, espera ela que o homem seja capaz de o desempenhar com cuidado e especialmente carinho, e mais do que prazer espera validação emocional ).
Para além disso, sem grande explicação, a mulher nasce ( em principio ) com um "sêlo de segurança" que comprova se a "embalagem" já foi violada, e que cada vez menos tem importância, mas que já foi motivo de tudo desde rejeições, renegações a guerras e assassinatos. Também isso influi fisicamente no seu comportamento inicial em relação ao sexo e deixa a sua marca na na sua forma de encarar o sexo.

No fundo ou no início somos animais e acredito que tenhamos instintos básicos, devido também aos mecanismos hormonais e de sobrevivência ancestrais. O macho ( no caso da maioria dos mamíferos em bando) tem uma "mania" de tentar conquistar o maior número de fêmeas e agressivamente lutar pelo direito á procriação com as mesmas.
A "pressão" da testosterona e da oxitocina e os nossos "cliques" de procriar ( o máximo possível no caso dos homens e em segurança familiar e de recursos, no caso das mulheres ) também terão uma palavra a dizer, mesmo que apenas residualmente. O homem acorda de manhã quase sempre com desejo sexual irreflectido e a sua sexualidade está um pouco associado a um instinto agressivo de possessão( muitas mulheres transsexuais experimentaram um aumento exponencial do desejo sexual e da agressividade após a administração usual de hormonas masculinas para a transformação ). A violação será aqui a expressão máxima do poder da pressão sexual e hormonal sobre o homem, na qual agressivamente ele cede totalmente à necessidade de satisfação de prazer e desrespeita totalmente o direito de uma outra pessoa à sua própria vontade, integridade física e emocional. ( regressão do "homo sapiens" ao "austrolopitecus" ).

Temos também a vertente social, a qual advoga que homem "deverá ser viril, interessado em mulheres e alguns comportamentos são desculpáveis porque lhe são próprios" enquanto a mulher " deverá guardar-se, ser sexualmente discreta e ter juízo ou então engravida". Basicamente homem que tenha andado com várias mulheres é macho, mulher que tenha andado com vários homens é "puta". Isto surge enraizado em séculos de glorificação da virgindade feminina, ( injusta pela incapacidade da comprovação da virgindade masculina ), e pelo facto de ser a mulher a que pode aceitar ou não os sempre presente desejos masculinos ( a culpa será sempre dela que "cedeu" ) e o receio da homossexualidade masculina ( será que não há nenhuma relação entre a homossexualidade masculina e as experiências de descoberta entre amigos na falta de contacto feminino?). No fundo a sociedade ( homens e mulheres ) têm receio da liberdade sexual da mulher ( nas suas diferentes idades ) e as mudanças que isso pode acarretar. É um poder bastante grande e que revolucionaria imensos dos conceitos presentes até agora existentes. Imaginem o que seria se todas as mulheres pudessem ter o mesmo comportamento liberal dos homens. Várias instituições sociais correriam perigo, tal como o casamento, a procriação e a prostituição.

Em relação à vertente que denomino de económica decorre do desequilíbrio da "oferta e procura" de Sexo na sociedade. Há uma mole de homens à procura de sexo e uma escassez de "oferta do bem sexo", dados os critérios considerados necessários pelas mulheres. ( As minhas desculpas a quem fica chocado com esta frase, mas é culpa da formação própria ) lol. Mas a verdade não deixa de ser essa. A mulher tende a querer escolher especificamente com quem quer fazer sexo, e o homem não consegue ter acção absoluta sobre esse facto ( a menos que pague a uma mulher que venda o seu corpo, em dinheiro ou outras benesses ). Reparem na discrepância entre o número de prostitutas e de gigolos. A mulher tem sexo quase quando quiser, o homem só quando a mulher aceitar, e muitos são os "não", até lá chegar. Assim, muitas vezes o homem torna-se mentiroso e dissimulado, tentando tudo fazer para subverter a exigência crescente da mulher, com promessas do que ela "espera ouvir". A verdade acerca dos seus sentimentos virá ao de cima quando ele se cansar, ou não, do sexo que tem com ela. Sexo cansa, a comunhão de sentimentos e de personalidades não.( E este "jogo de póker", com apostas cada vez maiores de cada um dos lados, está cada vez pior. Uns mentem, os outros têm medo de ser "enganadas" mais uma vez ) .

Quanto à vertente emocional, o homem, quando faz sexo com uma mulher, tem a certeza que a mulher gosta dele de alguma forma, o aceita e o valida, enquanto a mulher não sabe se o homem gosta dela ou apenas a quer possuir, dada a avidez deste em o concretizar. Há um desequilibro notório no ganho de Ego e concretização pessoal e emocional dos 2 seres. O homem quando faz sexo, tem 3 ganhos, o prazer, a conquista de um objectivo e a garantia de devoção de uma mulher. A mulher, por seu lado, pode, no final do acto, não ter ganho qualquer dos 3. Também por isso muitas vezes usa o sexo, a perspectiva dele ou a falta dele, como arma de conquista, sedução e poder.
O peso do homem, emocionalmente, é necessitar sentir que foi capaz de dar prazer à mulher ( até nisso, a mulher por amor, ou necessidade que a coisa acabe depressa simula o seu orgasmo ). Apesar de tudo, e da insensibilidade masculina tão publicitada, tentem, mulheres, dizer a um homem, mesmo que não goste de vocês, que o sexo que ele vos deu não foi de forma alguma satisfatório, e que o João o fazia bem melhor. Ou que todos os orgasmos tiveram de ser fingidos. Tal como a mulher deseja imenso que o homem desfrute do prazer e ela seja a razão dele, também o homem necessita de se sentir realizado, mesmo que ás vezes seja demasiado egoísta na sua realização. A mulher deseja imenso que o homem ejacule dentro dela ( sem consequências ) e o homem deseja imenso ouvir os gemidos de prazer dela, razão pela qual ás vezes até se torna bruto.

Sexo é para os 2 seres uma experiência física e emocional, embora em doses diferentes consoante o sexo e o individuo. É no meio que estará a virtude, e no aproximar dos 2 extremos, da fisicalidade pura e da emocionalidade exacerbada.
Sexo é um momento único, entre 2 seres, no qual deixa de haver intimidade de cada um e passa a haver intimidade dos 2. Tudo aquilo que se escondeu durante anos passa a ser público para os 2 ( ou para a comunidade internauta quando publicado , lol, brincadeira ).

PS: Tenho 3 conselhos para os amantes, no sentido de apreciar a partilha da intimidade: o banho a dois, a conversa pela madrugada fora (encaixadinhos e nus )sobre as mais variadas situações da vida e os olhos nos olhos enquanto fazem sexo ou amor.